Principal segmento da cadeia produtiva local
(60,7%, segundo dados da composição do PIB em 2023), o setor de serviços
pernambucano apresenta uma evolução de 1,5% e 0,5%, respectivamente, em 2026 e
2027. Os números, porém, são inferiores às médias regionais e nacionais, com
previsão de 1,9% e 0,9% e 2% e 1% em cada um dos períodos estudados.
“O setor de serviços, que possui a maior
participação na economia da região, deve apresentar alguma desaceleração à
frente. A dinâmica dos serviços prestados às famílias continua sendo importante
para o Nordeste. No início de 2026, alguns estados, entre eles Pernambuco,
mostraram aceleração nas vendas do varejo. O mercado de trabalho robusto vem
ajudando, embora a restrição nas condições financeiras tenha impactado o
setor”, aponta Henrique Danyi, economista do Santander.
Assim como no setor de serviços, a indústria
também vai ajudar a fortalecer esta expectativa positiva do PIB pernambucano. A
alta em 2026 e 2027 está projetada em 1,9% e 1,5%, respectivamente. A média
nacional e do Nordeste tem previsão, no mesmo período, de 1,7% e 1,5% e 2,1% e
1,9%.
“A indústria tem mantido taxas de crescimento
positivas no Nordeste, destaque positivo do setor entre as regiões. Apesar do
fechamento de plantas na região terem impactado a indústria de transformação, o
setor segue mostrando resiliência, com a atividade ampla seguindo em expansão
em Pernambuco, Ceará e Bahia. Perspectiva para 2026 é favorável, com impulso na
demanda no geral no Nordeste”, destaca Rodolfo Pavan, economista do Santander e
um dos autores do estudo.
Na contramão de vários estados do Nordeste, que
devem observar uma retração no setor agropecuário, há uma projeção de alta em
Pernambuco e, inclusive, as maiores da região, tanto em 2026 - ao lado de
Alagoas - com 1,2%, como em 2027, com 2%, superando os alagoanos (1,5%). O
resultado da média nacional e regional, respectivamente, é de 0% e 1% e -1,1% e
0,2%. “Estimamos que a agropecuária do Nordeste tenha apresentado forte
expansão em 2025, na esteira da safra recorde. Para os anos seguintes,
projetamos variações mais moderadas”, adianta Pavan.
Esse movimento de moderação, com algumas
oscilações, está alinhado ao cenário macroeconômico nacional, mantendo,
contudo, taxas positivas de crescimento no geral dos estados. Segundo Pavan, a
evolução da atividade econômica regional continuará refletindo fatores
nacionais, e eventos climáticos permanecem entre os principais riscos para o
cenário projetado, especialmente diante da possibilidade de ocorrência do
fenômeno El Niño nos próximos anos, com alteração nos padrões de chuva e
temperaturas.
“Após crescimento ao redor de 3% nos últimos anos,
estimamos que o Nordeste tenha desaceleração gradual em 2026 e 2027, seguindo o
comportamento do agregado nacional. Ainda assim, estimamos desempenho superior
ao observado na década passada para a região. O desafio à frente deixa de ser
crescer mais rápido e passa a ser crescer com menos impulso cíclico, maior
heterogeneidade regional e sensibilidade crescente a choques climáticos e
financeiros”, conclui Pavan.






